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Pois é, faz muito, mas muito tempo que não tenho escrito aqui. Muita coisa aconteceu neste tempo todo. Novos rumos, amigos, aprendizados, erros e acertos, colapsos, análises, viagens.
Minha sala de trabalho hoje não tem mais aquela janela enorme com vista para a natureza, mas onde estou hoje tenho uma visão muito maior e diferente do mundo. Pude vivenciar novas experiências que antes pareciam impossíveis.
Consegui deixar de lado parte do que me incomodava e dar mais valor para o que realmente importa.
Voltei, e esta página, novamente, vai ter que...
CINE - Amem
O filme mais recente do excelente Costa Gavras, é baseado na obra teatral Der Stellvertreter, de Rolf Hochhuth, e aborda a polêmica questão dos vínculos da Igreja católica com o Terceiro Reich.
Na entrevista coletiva, após o lançamento do filme, Costa Gravras disse:"Depois daquilo, houve mais casos em que a Igreja se calou", e deu como exemplo o massacre de Ruanda, do qual "acredita-se que sacerdotes participaram, coisa que a Igreja não condenou".
Só assistindo para ter suas conclusões.
O que posso dizer é que após assistir o filme a gente se lembra em que m... de mundo vivemos. Fiquei uns 3 dias lembrando-me de algumas cenas do filme.
Vale a pena assistir. Grande filme.
Recomendo pegar um filme alegrinho para ver depois.
Menos uma estrela na telona - Morre Marlon Brando
Nesta última 5a feira, o mundo perdeu uma grande estrela da telona: Marlon Brando, aos 80 anos, de causas não reveladas num hospital de Los Angeles.
É triste dizer que apesar de todo o sucesso que teve e dinheiro, estava falido e sozinho. Passou seus últimos tempos em um precário e sujo apartamento de 1 quarto num condomínio em Mulholland Drive. Vivendo nos últimos tempos de aposentarias privada e da associação dos atores. Brando, uma lenda da história do cinema, gastou milhares de dolares na década de 90 para livrar seu filho da justiça, sendo este réu confesso do assassinato do namorado de sua irmã, lhe rendendo uma dívida acumulada em mais de 20 milhões de dólares.
Fica sua extensa e invejável obra e a saudade dos fãs, que como eu, estão de luto nesta 6a feira de julho.
CINE - 21 Gramas
Iñárritu, mesmo diretor de "Amores Brutos" e "11 de setembro", consegue-se manter como sobrevivente. Não assisti o 11 de setembro, mas o 21 Gramas segue o mesmo estilo "no Hollywood" de ser do Amores Brutos.
Com atores de peso como Sean Penn e Benicio del Toro, 21 Gramas faz o telespectador ficar grudado na tela do início ao fim.
Se eu fosse descrever em uma palavra o sentimento que tive após o filme acredito que seria algo como "desconcertante". Muito bom! Vale a pena assistir!
Mais uma 2a feira...
Acordar com o frio que está fazendo aqui no Sul (hoje pela manhã, próximo às 7 horas, estava 3ºC) encher-se de roupas quentes e ir "fazer pela vida", como o meu pai sempre diz.
Mas apesar do stress normal, ainda mais pós feriado prolongado, o dia está lindo! Nenhuma nuvem no céu, um sol brilhando, pena que algumas pessoas continuam tentando tirar o brilho do nosso dia.
Acontecem coisas comigo em que às vezes até me pergunto: "- Isso é uma pegadinha, não? Onde está a câmera escondida? Deve ter alguma por aqui, em algum lugar..."
Quem sabe um dia eu tome coragem e vontade de escrever algumas destas, transformar em livro e finalmente ganhar dinheiro. Imagina um livro meu na mesma prateleira que o Paulo Coelho! Seria muito engraçado. Não que eu vá tratar de assuntos místicos ou de grandes viagens a outros continentes, pois minhas estórias por si só já são uma grande viagem, muitas vezes sem volta. E nem porque sou fã dele, pois não sou. É da prateleira dos mais vendidos que estou falando (modésta!). Tem tanta porcaria sendo escrita e ganhando $$.
Então, trocarei os nomes dos principais personagens, mudarei uma coisinha aqui e outra ali e colocarei uma daquelas frases: "- qualquer coincidência...", ou então, a melhor delas: "- nenhum animal sofreu qualquer tipo de agressão ou violência...", a não ser a própria escritora.
Projetos, projetos. Li no meu horóscopo de domingo (alta cultura!) que está na hora agilizar e correr atrás do que há tempos quero. Hoje, já fiz algumas açõezinhas para que algumas delas ocorram. Paulo Coelho que me perdoe mas não vou só ficar esperando que o universo conspire a meu favor. Se bem, que não nego nenhum tipo de ajuda positiva, mas...
Falando nisso, falhei. Esqueci de jogar na mega sena(hahaha)!
Quem sabe, um dia...
Sonho em um dia qualquer meu lado insano, ou não, tomar conta. Daí virá aquela vontade insaciável, imensa, e a dose de coragem suficiente para mandar tudo para aquele lugar, que não é nada próximo daqui, juntar as coisas e ir tentar a vida em algum lugar mais calmo, mais bonito, quem sabe até de uma maneira mais simples mas com mais paz e prazer.
Talvez uma casa no campo, ou numa praia qualquer em SC, ou quem sabe numa cidade menor, com menos poluição, menos apelo ao consumo e mais humana,...
Gastamos nosso tempo e nossa energia em tarefas e compromissos que promovem empresas e negócios que são de outras pessoas! Tá, ok, mas somos pagos por isso. Mas tem diversas coisas que não há $$ que pague: dedicação, lealdade, vestir a camisa da empresa, stress, saúde indo ralo a baixo, etc. Ou seja, trabalhamos para realizar os sonhos e desejos dos outros. E os nossos sonhos, desejos? Por que permitimos que pessoas alheias à nossa história tenham a oportunidade de perturbar o nosso dia? A nossa paz?
Ficamos mais da metade do nosso dia envolvidos em coisas para os outros, para chegar no final do mês e concluir que sobrevivemos a mais um mês!
Entra ano, sai ano, mudam as pessoas mais as estórias se repetem. Existem coisas que andam em círculos!
Sobram muito poucas horas por dia para cuidarmos de nossas coisas. Desde obrigações básicas e fisiológicas, tais como dormir, tomar banho,..., até fazermos algo por nossa história, seja por investir em algum hobby, estudo, estar com quem gostamos, dar atenção a coisas que valham a pena para nós.
Assim, temos mais motivos ainda para tentarmos fazer aquilo que nos dá prazer, realização, e aproveitar as alegrias e prazeres nas pequenas coisas. Na cidade onde estou hoje está um dia frio, mas com um sol lindo! Não tem uma nuvem no céu. Tenho a oportunidade trabalhar em uma sala que possui janelas de vidros grandes, de dois lados, então tenho a oportunidade de ver a luz do sol todos os dias. Num dos lados, minhas janelas dão para o gramado, onde sempre tem "quero-queros" (para quem não conhece, são pássaros facilmente encontrados na região sul do país) e outros pássaros, além de árvores e plantinhas.
Quando o stress está muito grande, dou uma volta e vejo o sol, inspiro, e volto para minha sala com a certeza de que muitas pessoas podem estar sentindo o mesmo stress, por outros motivos, mas que não tem nem uma frestinha de luz natural onde trabalham. Nâo é um pequeno luxo?
Importante é nos compensarmos com os chamados "pequenos luxos". Um almoço com amigos, um jantarzinho com quem se gosta num lugar legal, conhecer novos lugares, dar-se alguns presentinhos (cds, livros, roupas,..., vai do gosto de cada um) e fazer o máximo para o dia ter válido a pena. Sei que é fácil falar e muito difícil seguir. Eu mesmo estou sempre me perdendo deste eixo. Mas sempre tentando me policiar e fazer diferente. Dar menos importância a coisas que na realidade não tem importância nenhuma para mim. Me preocupar menos com tudo, ser menos comprometida talvez.
Mas quem sabe, um dia, meu sonho possa ser realizado. Minha casinha, minhas plantinhas, bichinhos, paz...
Como manter a insanidade em um nível normal....
Dicas para "manter um nível saudável de insanidade", em plena 2a feira:
1) No seu horário de almoço, sente-se no seu carro estacionado,
coloque seus óculos escuros e aponte um secador de cabelos para os carros que passam. Veja se eles diminuem a velocidade.
2) Insista que a id de seu e-mail é xenaprincesaguerreira ou elvisorei.
3) Sempre que alguém lhe pedir para fazer alguma coisa, pergunte se quer que fritas acompanhem.
4) Encorage seus colegas de sala para fazer uma dança de cadeiras sincronizada com você.
5) Coloque a sua lata de lixo sobre a mesa e escreva "Entre nela".
6) Desenvolva um estranho medo de grampeadores.
7) Coloque café descafeinado na máquina de café por três semanas.
8) Quando todos tiverem superado o vício da cafeína, mude para expresso.
9) Sempre que alguém lhe falar alguma coisa, responda com "isso é o que você pensa".
10) Termine todas as suas frases com "de acordo com a profecia".
11) Ajuste a brilho do seu monitor para o que o nível dele ilumine toda a área de trabalho.
Insista com os outros que você gosta desse jeito.
12) Não use pontuações.
13) Sempre que possível, pule em vez de andar.
14) Descubra onde o seu chefe faz compras e compre exatamente as mesmas roupas.
Use-as um dia depois que o seu chefe usá-las. Isso é especialmente efetivo se o seu chefe for do sexo oposto.
15) Mande e-mails para o resto da empresa para dizer o que você está fazendo.
Por exemplo: "Se alguém precisar de mim, estarei no banheiro, na cabine três".
16) Coloque uma tela de mosquitos ao redor do seu cubículo. Toque um CD com sons da floresta durante o dia inteiro.
17) Faça seus colegas de trabalho lhe chamarem pelo seu apelido, "Duro na queda".
18) Fale para o seu chefe "não, são as vozes na minha cabeça".
19) No canhoto de todos os seus cheques escreva "Referente a favores
sexuais"
20) Pergunte às pessoas de que sexo elas são. Ria histericamente depois que elas responderem.
21) Quando estiver em um drive-thru, especifique que o pedido é para viagem.
23) Cante junto na ópera.
24) Vá a um recital de poemas e pergunte por que os poemas não rimam.
25) Com cinco dias de antecedência, avise seus amigos que você não pode ir à festa deles porque não está no clima.
26) Ligue para o CVV (centro de valorização à vida) e não fale nada.
27) Quando sair dinheiro do caixa eletrônico, grite.
28) Ao sair do zoológico, corra na direção do estacionamento gritando "Salve-se quem puder, eles estão soltos!".
29) Na hora do jantar, anuncie para os seus filhos: "Devido à nossa situação econômica, teremos de mandar um de vocês embora".
30) Todas as vezes que você vir uma vassoura, grite "Amor, sua mãe
chegou!".
Saiu e não foi minha!
É, enfim, alguém ganhou a tão esperada e sonhada mega sena acumulada. Pena que não fui eu a sortuda... 46 milhões. Eu sei, é muito "dindin". Tomara que o sortudo carioca que ganhou sozinho saiba investir e aproveitar o prêmio.
Uma vez li uma matéria que dizia que a maior parte dos ganhadores, mas a maior parte mesmo (acima de 80%), de grandes prêmios como este perdem tudo em poucos anos. Além disso, muitos ganhadores não conferem seus bilhetes e acabam deixando seu prêmio nos cofres federais. É muita grana que fica nos cofres públicos aguardando seu sortudo vir buscá-la dentro do prazo de 120 dias.
Um volume deste precisa ser investido. Dá tranquilo para viver, e muito bem, só de renda dele. E sem essa de arrumar "sangessuga" de investidor, que vem com todo um palavreado bonito, indecifrável aos leigos e repleto de siglas, ou então deixar em baixo do colchão criando mofo. Há muita informação disponível, aqui mesmo na rede, que pode orientar e dar diversos caminhos para que pessoas simples possam administrar as suas economias. E para quem não sabe acessar a rede, bastam ainda algumas velhas e boas dicas, tais como: bens duráveis, imóveis.
Este dinheiro, se bem aplicado, sobra $$ para algumas gerações de rebentos usufruirem e até, imaginem, terem orgulho de serem reconhecidos como bisnetos daquele grande investidor, e inflar o peito ao dizer que faz parte da família "...Souza Silva da Silva e Silva".
Complicado deve ser a quantidade de gente, os chamados "amigos" e "parentes distantes" que devem surgir do nada a quem é premiado. Como diz meu pai: -"Família sou eu, minha mulher e meus filhos. O resto é parente!"
Felizmente, dinheiro não é tudo! Sei que ajuda, como ajuda e facilita algumas coisas. Mas é mais importante ainda ter saúde e paz. Essas duas coisinhas, sim, não tem preço. E não venha rimar com aquela frase de propaganda de cartão de crédito, tá?
CINE - Era uma vez no México

Assisti hoje o filme que completa a trilogia El Mariachi do multimidia Robert Rodriguez - Once upon a time in Mexico. Johnny Depp e Antonio Banderas garantindo muita e boas risadas do ínicio ao fim do filme. Para quem já viu Balada de um Pisotoleiro e Desperado é quase que obrigatório assistir este último. No DVD tem uma extensa seção de extras que é imperdível.

Meigos, coloridos e fofinhos são os personagens mas o desfecho é praticamente o mesmo. Confira! Principalmente se você está tendo um dia como o meu, aliás semana. Muito rolo! Tem horas que dá vontade de colocar certas pessoas para dentro do cartoon e tirar os bichinhos de lá.
A musiquinha da trilha sonora também é muito legal!
A primeira vez que acessei este site foi por indicação de um amigo meu, há mais de 1 ano. Quando comecei assistir, achei muito alegre e fofo. Mas no decorrer da historinha, várias coisas grotescas começaram a acontecer aos meigos bichinhos. Fiquei impressionada. Então, cai na real e entendi o conceito do cartoon. Sou fã! Tem uma enorme opção de coisinhas para comprar no próprio site, desde bonecos até canecas e camisetas, para quem gosta de consumir e/ou colecionar. Este site é diversão adulta garantida.

Arte tipo ing�nua mas que na realidade n�o tem nada disso. Lindas bonecas fofinhas e grotescas. Vale a pena conferir "Junko Mizuno's Illustration Book" e o site.
+ Poe => Annabel Lee
Esta é uma das poesias mais lindas que conheço. Novamente, Edgar Allan Poe se supera. Ganhei esta poesia de uma pessoa muito especial há alguns anos atrás.
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Annabel Lee
(Traduzido por Fernando Pessoa)
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Edgar Allan Poe
Segue uma das poesias de que mais gosto. Só poderia ser de Poe (1809 - 1849). Escritor norte-americano imortalizado pelas suas histórias fantásticas e mórbidas. Tem uma outra poesia dele que também adoro. Chama-se Annabel Lee, que postarei qualquer dias destes. Além disso, Poe tem diversos livros de histórias, poemas e ensaios, dentre os quais destaco um livro de contos chamado "Contos Extraordinários". Leitura sem erro. Vale o investimento de ter na biblioteca de casa.
A poesia abaixo chama-se "O Corvo" e foi traduzida para o português através de um outro imortal da literatura e escritor para mim muito especial: Fernando Pessoa.
O Corvo
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
Abrindo os trabalhos...
Anteriormente, achava este negócio de blog algo meio exibicionista, para massagear o próprio ego. Milhares de pessoas publicando numa rede mundial os seus antes escondidos e volumosos diários, algumas criando seus próprios personagens...
Atualmente, vejo com olhos de compartilhamento de idéias e experiências, pois desenvolvem-se verdadeiras comunidades em cima de um assunto em comum, até novas redes de amigos, ou simplesmente gente que gosta de escrever, reunir suas idéias e coisas. Acredito que me encaixo mais nestes dois últimos tipos, mas... não sei se alguém lerá algo do que escrevo aqui, mas se isto acontecer...